terça-feira, 18 de maio de 2010

Os Santos Católicos Africanos


12MaioOs Santos Católicos Africanos Em diversas pesquisas realizadas sobre santos africanos de pele negra ou não, o Jornal “A Gaxéta” encontrou centenas de nomes, o que vem a provar perante a igreja católica que, fosse qual fosse a origem ou história de determinado homem, este poderia sim, ser sacralizado e reconhecido como santo. Uma questão que merece grande destaque, é a polemica justificativa que a igreja se utilizou, para apoiar a escravidão africana: de que negros não tinham alma!

A história da Igreja está repleta de muitos negros africanos que se tornaram santos católicos, ou seja, que receberam o reconhecimento de grandes ações ou comportamentos meritórios. Muitos perderam suas vidas em defesa da fé. Muitos também foram homenageados por suas contribuições para a Igreja e sua comunidade. Durante as comemorações e homenagens que dizem respeito à população negra de diversas épocas e locais, personalidades como Martin Luther King e Zumbi dos Palmares, são amplamente destacados. Entretanto, pouco se sabe sobre outros gigantes da fé cujas contribuições se fizeram em forma de história cristã. Sábios ou não, esses homens e mulheres africanos, fizeram igualmente parte da história negra mundial ou mesmo africana ligada a outras etnias. Em diversas pesquisas realizadas sobre santos africanos de pele negra ou não, o Jornal “A Gaxéta” encontrou centenas de nomes, o que vem a provar perante a igreja católica que, fosse qual fosse a origem ou história de determinado homem, este poderia sim, ser sacralizado e reconhecido como santo. Uma questão que merece grande destaque, é a polemica justificativa que a igreja se utilizou, para apoiar a escravidão africana: de que negros não tinham alma! Conheça a seguir, alguns dos inúmeros homens santos da África, muitos absolutamente desconhecidos de grande parte da população brasileira:

São Simão de Cirene

Foi, de acordo com alguns Evangelhos, um homem que foi obrigado pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus Cristo. Ele era oriundo de Cirene, nome de uma região do Norte de África que hoje se situa na Líbia. Simão “passava, vindo do campo”, o que pode significar que ele vinha naquele instante diretamente de Cirene para a celebração judaica da Pessach, e que dá ênfase a idéia de que Jesus teria carregado sozinho a cruz. Há rumores relacionados à substituição de Jesus por Simão no momento da crucificação. É precisamente esta troca, a visão islâmica sobre a vida de Cristo. Por vezes Simão é representado como um negro, devido à identificação deste com Simeão, dito Níger;

São Moisés Negro

Etíope, já foi um homem mau. Ele roubou de seu empregador, cometeu crimes e matou pessoas sem motivo algum. Não se fala muito de sua conversão, mas ele levou uma vida estelar, uma vez que trocou o inferno de sua sensibilização, pela humildade. Uma vez Moisés foi chamado para uma reunião de pais da igreja para julgar um homem. Ele chegou carregando uma cesta nas costas, com um furo na parte inferior onde escorria areia. Quando perguntaram o que era, ele disse: “É onde eu mantenho a minha quantidade de pecados. Eu os mantenho atrás de mim e estes são derramados para fora. Mas eu vim para julgar uma pequena falha?” Envergonhado, a vítima perdoou o agressor;

São Martin de Porres

Ele foi o primeiro santo negro americano. Nascido em Lima, Peru, em 1579, ele era o filho ilegítimo de um nobre espanhol, e uma jovem, ex-escrava. Com 11 anos de idade, ele começou a trabalhar como funcionário em um convento dominicano. Trabalhou com tanta devoção, que passou a ser chamado por seus irmãos de “o santo da vassoura.” Mais tarde, Martin trabalhou na enfermaria, dando conforto aos doentes. Suas curas espetaculares lhe renderam fama e reconhecimento, e sua profunda devoção mudou a cabeça de seus superiores de que nenhum negro poderia receber o santo hábito ou professar os votos na sua ordem. Ele se tornou o primeiro negro a pertencer ao hábito completa e tomou juramento solene como um irmão Dominicana. Segundo São Martin de Porres “não se deve desprezar os pequenos começos;”

Santa Josefina Bakhita

Bakhita (afortunada) nasceu no Sudão, África, em 1869. Esta africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes, o que lhe causou profundos danos a sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome. Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Junto à família de um amigo dele, em Veneza, Bakhita tornou-se ama e amiga da criança que nascera. A família retornou a África, e o casal confiou Bakhita e a filha deles às irmãs da Congregação de Santa Madalena. Ali, Bakhita, conheceu o Evangelho. Com vinte e um anos, foi batizada, com o nome de Josefina. Sentiu o chamamento para a vida religiosa, e se consagrou para sempre a Deus, a quem ela chamava com carinho “o meu Patrão!”. Chamada por todos de “Irmã Morena”. A sua humildade, simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé: “Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas. Numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico”. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II;

São Elesbão

O relato da vida de São Elesbão segue a mesma trajetória de Santa Efigênia. Natural da Etiópia, ele era neto do rei Salomão e da rainha de Sabá, imperador no século VI, que mais tarde se tornaria cristão. O reino vizinho, renegara a fé e mandou matar todos os integrantes do clero e transformou as igrejas em sinagogas, tornando-se temido e famoso por seu ódio declarado aos cristãos. Elesbão decidiu reagir àquela verdadeira matança imposta aos irmãos católicos e declarou guerra ao reino. Liderando seu povo na fé e na luta, ganhou a guerra. Mas ele teve de vencer outra batalha ainda maior além dessa travada contra o inimigo: aquela contra si mesmo. Depois de um curto período de muita oração e penitência, aceitou o chamado de Deus. Abdicou do trono em favor do filho, seu sucessor natural, e dividiu seus tesouros entre os súditos pobres. Assim Elesbão partiu para Jerusalém, onde depositou sua coroa real na igreja do Santo Sepulcro e se retirou para dentro do deserto, vivendo como monge anacoreta, até morrer em 555. No Brasil, a partir dos escravos, foi muito difundida a devoção de Santo Elesbão, o rei negro da Etiópia.

Fonte:
Faiths Christianity Catholic The-Saints-of-Africa
Catholic Black Saints
Tio Sam
Google
Catolicanet